terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Archer Quest - Capítulo 5


Capítulo cinco


Corash e seus companheiros já estavam caminhando há cinco horas. Os sorrisos e brincadeiras entre ele e Mahslia haviam cessado, e só o que havia entre todos eles era um silêncio cansado. Apesar disso, eles prosseguiam.
- Que som é esse?- perguntou Avalas, quebrando o silêncio e apurando os ouvidos.
Realmente, um som abafado e ritmado chegava às orelhas pontudas dos companheiros.
- Parecem...- começou Corash
- Cavalos!!! Para a mata, rápido!- gritou Avalas, descontrolado, empurrando os companheiros para dentro da mata fechada e pulando atrás deles.
- Você ficou louco?!- berrou Corash, assustado.- Por que você...- tentou continuar ele, antes que a manzorra de Avalas tapasse sua boca.
- Fale baixo, idiota! Esse som é de cavalo. Apenas o rei e sua comitiva real possuem cavalos.
- E por que não podemos falar com o rei sobre nossa missão?!- perguntou Mahslia- Tenho certeza que o rei nos apoiará. Talvez ele até nos mande reforços!!!
- Apenas nos seus sonhos delirantes, Mahslia- respondeu Corash, desvencilhando-se de Avalas.- É mais provável que o rei nos capture e nos torture até falarmos tudo o que sabemos.
- Além disso, o rei não gosta muito de mim- ajuntou Avalas, concordando com Corash.
- E alguém gosta, Avalas?- perguntou uma voz cruel e cortante, colocando uma espada no pescoço do grande elfo. Corash e Mahslia, subitamente, foram dominados por dois elfos surgidos do meio da mata.- Vocês vêm comigo. Com o que vocês sabem, minha vida está garantida.


Os três companheiros foram vendados e amarrados antes de começarem a andar. Suas armas e mochilas foram entregues para o rei, que, ao invés de torturá-los, os colocou presos em cavalos, que por sua vez estavam amarrados a outros cavalos. Onde a comitiva fosse, eles iriam atrás.
- Ora, Avalas, há quanto tempo!!! Você aparenta ter dobrado de tamanho!- disse o rei, pomposo
- E você parece ter dobrado seu vocabulário almofadinhas ridículo- cuspiu Avalas, com desprezo.
- Avalas, seja razoável! Nós não podemos esquecer os erros do passado e nos concentrarmos no futuro? Sabe, uma guerra eclodirá logo, e eu não gostaria de morrer sabendo que alguém não perdoou os meus erros.- disse o rei, eloqüentemente, sendo aplaudido pela comitiva.
- Se a sua preocupação se estendesse a qualquer pessoa do reino que não pode te dar qualquer vantagem, ela seria tocante. Acontece que eu não sou burro para acreditar que você se preocupe com qualquer um que não você.- retrucou o grande elfo, astuto.
- Avalas, você está passando dos limites!- sibilou Mahslia.
- Silêncio, sua tola. Não meta seu nariz onde não foi convidada- repreendeu o rei, encarando o grande elfo abertamente.- Sabe, Avalas, você merece a morte. Mas...
- Mas você sabe que você não conseguiria me matar se eu estivesse com minha espada e não estivesse preso!- gritou o espadachim, corando de raiva.
- Não, meu pequeno súdito.- disse o rei, com um traço de irritação na voz- Mas vocês três darão excelentes gladiadores. A Arena precisa de pessoas como vocês.


Uma espada, um cetro um arco e uma aljava com flechas foi tudo que deram aos companheiros. Todas as armas eram toscas e vagabundas. Estava claro que o rei não queria ver os três amigos vivos. Eles estavam em uma cela com porta gradeada.
- E agora?- perguntou Mahslia, desesperada. Ela nunca estivera presa antes.
- Não adianta tentarmos fugir- respondeu Avalas, calmo.- Essas grades são, provavelmente, reforçadas com alquimia, e não magia. Reparem que eles deram um cetro para Mahslia, sem medo de suas magias. E também nos deram armas, o que significa que brutalidade não adiantará aqui.
Os argumentos de Avalas eram coerentes, então não foram contestados. Os três ficaram em silêncio, até que um guarda os chamou.
- Venham cá, cães sarnentos!- gritou o guarda, prendendo os pulsos dos amigos e tirando-os da cela.- Andem por este corredor até o final! Vocês estão sendo convocados para lutar! E não tentem nada! Eu tenho uma lança, e até hoje eu nunca errei um alvo!
Os companheiros se entreolharam. Se estivessem com as mãos livres, eles certamente poderiam dominar o guarda, mas... Era melhor não arriscar a vida algemados.
- E agora, Avalas?- sussurrou Corash, por entre os dentes.
- Lutamos por nossas vidas, o que você esperava? Não temos outra opção: ou lutamos ou morremos. E eu prefiro lutar.- retrucou o grande elfo.
Eles continuaram por um grande túnel escuro e saíram para a arena.
O chão redondo da arena era de terra batida. Uma grande multidão urrava, olhando para os novos gladiadores com sede de sangue. Do ponto mais privilegiado dos assentos, um camarote dourado era ostentado. O rei e seus cupinchas. As pedras que foram usadas na construção da arena eram negras e lisas. Impossíveis de escalar.
Do outro lado de onde os companheiros estavam, um portão de ferro fechado escondia o inimigo deles.
Enquanto esperavam o inimigo, Avalas começou a passar a mão nas pedras e pisar mais forte que de costume.
- O que...- começou Mahslia.
- Testando terreno. Calculando probabilidades e possibilidades. Tentando sobreviver.- respondeu Avalas, sem olhar para a companheira.
- Senhoras e senhores! Bem-vindos à Arena Querua!!! E hoje, a luta será de intensas emoções!- gritava um Mestre de Cerimônias, com a voz magicamente ampliada.
“As regras são simples! Seis gladiadores lutarão entre si! Podem fazer parcerias ou lutar por si próprios, com duas condições: três gladiadores lutarão algemados, enquanto os outros três não!” disse o homem, para delírio do público.
- Adivinhem só quem lutará algemado?- perguntou Avalas, por entre os dentes. Sua voz pingava ódio.
- A segunda condição é que apenas três gladiadores serão classificados! Os outros três morrerão!- continuou o Mestre de Cerimônias.- Agora, o rei vai falar algumas palavras.
Altivo e imponente, o rei caminhou para a frente de seu pomposo camarote, onde todos pudessem vê-lo. Posição de poder.
- Gladiadores!- gritou ele.- Lutem como se sua vida dependesse disso!
O público riu e aplaudiu seu engraçado governante, que voltou para seu assento, satisfeito.
“Que abram os portões!”- berrou o Mestre de Cerimônias.
Como mágica, os pesados portões se abriram e, de dentro de um corredor mal-iluminado, saíram três figuras grandes, implacáveis, musculosas e feias, com machados enormes nas mãos e armaduras completas de batalha.
Orcs sedentos de sangue. Isso nunca era uma visão bonita.

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