Capítulo quatro
Avalas não era um companheiro alegre, nem mesmo sorridente ou animador. Parecia apenas um gigante emudecido, perdido em seus pensamentos. Enquanto Mahslia e Corash aproveitavam a liberdade recém conquistada com piadas, palavras e sorrisos, Avalas apenas olhava os novos companheiros.
A história de vida do grande elfo parecia um livro. Nascera, para logo ser abandonado por sua mãe. Seu pai, um elfo beberrão e despreocupado, entregou o bebê para um orfanato assim que soube. Não queria a criança.
Com mais idade, Avalas percebera que não era igual as crianças do orfanato. Ele era maior e mais forte. Até seu físico robusto destoava do físico normal dos elfos. Por causa disso, aos treze anos ele se candidatou a aprendiz do Exército de Lynzea. Quando o recrutador do exército viu sua altura impressionante e seus ombros largos, aceitou-o imediatamente no esquadrão dos espadachins. O recrutador nunca se arrependeu de sua escolha.
Com quinze anos, Avalas entrou no grupo dos formandos espadachins, três anos mais cedo que o normal para quem começava com treze anos. Conhecia centenas de técnicas, era o mais alto e mais forte entre os elfos e tinha uma grande inteligência, fruto de muitas noites perdidas em nome do estudo. Seus treinadores estavam orgulhosos: Avalas era o garoto modelo da academia!
O que eles não esperavam era que o grande elfo, um gigante aparentemente manso, fosse capaz de se rebelar. Ele estava cansado da sujeira política que era essa história do Exército de Lynzea. Seus esforços solitários, em busca de técnicas de guerra e conhecimentos estratégicos de nada valiam? Foram os professores que ensinaram isso? Não!
Assim, na calada da noite, enquanto seus instrutores e mentores dormiam, ele pegou sua espada e, silencioso como um sussurro, matou todos os altos generais, limpou o sangue da espada e voltou a dormir, com a consciência mais leve.
O único porém é alguém havia visto ele levantar. Este alguém avisou um professor, que avisou o novo general. Este, por sua vez, avisou o rei de Lynzea que resolveu expulsar Avalas da capital do reino e mandá-lo para Sparon, sob o pretexto de “colocá-lo em posição estratégica, em um lugar que o clima seja bom para seu temperamento e que ele possa esvaziar sua ira sem matar pessoas.”
A vida calma na pequena vila de Sparon irritava Avalas. Ele nascera para a grandiosidade, e não para uma pequena vila de aldeões simplórios. Assim que a primeira oportunidade de sair do marasmo que era Sparon e ir em alguma aventura apareceu, o grande elfo agarrou-a com unhas e dentes. Seria perfeito, não fosse Corash e Mahslia. Que haviam parado e estavam discutindo alguma coisa.
- ...temos que ir para a direita, Mahslia!- exclamava Corash.- Só assim chegaremos rapidamente à Monhtanha Selque!
- Não, Co! Temos que dar a volta, indo pela esquerda! Se formos pela direita, inevitavelmente passaremos pelas Dunas Congeladas! Certo, Avalas?- retrucou Mahslia, surpreendendo o grande elfo com sua pergunta.
- Acho que sim. É melhor evitarmos as Dunas Congeladas, pois não viemos preparados para encará-las. Além disso, elas são imensas, o que significa que poderemos nos perder nelas facilmente. Melhor não arriscarmos e irmos pela esquerda.- ponderou Avalas, sensatamente.
- Ótimo. Demoraremos mais um dia para chegar na montanha Selque. Um dia em que Sparon pode ser destruída- respondeu Corash, amargamente.
- Não seja debilóide, Corash. Nenhuma vila é destruída em um único dia, ainda mais uma vila com tantos guerreiros como Sparon. Um dia não fará diferença.- sentenciou Avalas.
Corash resmungou alguma coisa ininteligível e calou-se, seguindo os companheiros pelo caminho da esquerda.
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