Capítulo três
Corash se virou violentamente, e viu o elfo grande e frio que sugerira o primeiro plano de batalha.
- O que você quer?- perguntou ele ao outro elfo, rudemente.
- Eu? Eu quero acompanhá-los. Eu não agüento mais essa vidinha pacata do vilarejo.
- Nós nem sabemos quem é você! Como quer que confiemos em você?- perguntou Mahslia.
- Meu nome é Avalas, ao seu dispor. E não, vocês não podem confiar em mim. E a maior prova disso é que, se vocês não me deixarem acompanhá-los, eu poderia “deixar escapar” para o Nisual que vocês saíram da vila sem a permissão dele. E acho que ele não vai ficar muito feliz. Em compensação, se vocês me deixarem ir com vocês, o Nisual irá achar que vocês foram até a capital do reino buscar uma caravana de guerreiros, graças a um bilhetinho que eu irei plantar para despistá-lo. Vocês decidem.
Corash pensou seriamente nisso. Talvez outra cabeça no time fosse bom, mas eles não conheciam o tal Avalas. Corash já o havia visto com várias garotas diferentes, mas era apenas isso que ele conhecia.
- Qual é a sua arma?- perguntou o aprendiz de arqueiro, desconfiado.
- Eu uso espadas. Mas sou apenas um aprendiz.
- E como você quer acompanhar-nos sem conhecer a fundo os segredos da sua arma?- blefou Mahslia. Para a surpresa da elfa, o estranho sorriu.
- Do mesmo jeito que vocês, aprendizes, eu também tenho o direito de não conhecer minha arma tão bem quanto os mestres. Ou não?
Mahslia enrusbeceu e se calou. Corash ainda avaliava Avalas abertamente.
- Venha conosco então, Avalas. Mas você está desarmado. Como pretende se defender de monstros apenas com os punhos?
- Quem disse que eu estou desarmado?- perguntou o gigante, virando-se de costas. Ali, presa pelo cinto do elfo, havia uma bainha, que continha uma espada grande.- Eu nunca ando desarmado... qual é mesmo seu nome?
- Corash.
- Eu nunca ando desarmado, Corash.- repetiu ele, virando-se para os companheiros. – Ao contrário de vocês, eu sou precavido- disse ele, mostrando uma mochila que até agora passara despercebida pelos amigos.
- Ótimo. Estamos prontos, então. Vamos.- decidiu Corash. Ele virou-se para o portão e saiu da vila, com seus companheiros em suas costas.
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