Capítulo dois
Era meio-dia quando o sino da vila tocou, chamando todos os cidadãos para uma reunião.
- Como todos devem saber, nossa vila está em mortal perigo. - O autor desta frase foi o líder da vila, Nisual- E estou convocando a todos pois creio que ninguém deve ficar calado. Alguém tem algum plano?
- Líder, eu bolei um, que acho que deverá servir. Por que não plantamos armadilhas pelo campo de batalha? Poderemos, assim, dizimar parte do exército inimigo sem que eles ao menos possam revidar. – disse um elfo de voz fria e estatura grande.
- Excelente, mesmo. Todos os melhores alquimistas e magos, já podem começar. Mais alguém?
- Líder- disse Corash- eu tive um sonho hoje, sobre uma arma muitíssimo poderosa. Talvez algum de nós possa sair numa missão para recuperá-la?
- Corash, todos sabemos que seus sonhos são proféticos- riu Nisual- mas você quer mesmo que nós acreditemos que uma arma, apenas uma, poderá salvar nossa vila? Pelo amor do Criador!
Corash silenciou, e ele sentiu o olhar de Mahslia em sua nuca. Mas havia mais alguém o olhando com interesse. Ele só não sabia quem.
Corash estava terminando de desenhar algo em um pergaminho, quando Mahslia entrou.
- Corash! Eu te disse para esquecer esta arma!
- Desculpe-me, Mahslia, mas esta arma vai nos ajudar, eu tenho certeza. E eu vou em busca dela, querendo você ou não!
- Onde você está pretendendo ir, posso saber?
- À Montanha Selque, e você não vai junto comigo- acrescentou ele, captando o olhar da amiga.
- Ah, eu vou sim. E, mesmo eu não acreditando nessa missão, você precisa de mim. Afinal, quem irá te proteger?
- Engraçadinha. Você não vai, não. Você está muito perto de se formar, eu não posso deixá-la ir e perder a formatura.
- Formatura? Isso só serve para participar do exército! Eu vou com você, “querendo você ou não”. Assunto encerrado.
- Que seja, Mahslia, mas qualquer coisa que acontecer com você é de inteira responsabilidade sua. Entendido?
- Tudo bem, Co. Quando nós partimos?
- Assim que você arrumar a sua mochila com cordas, comida, cantis com água e um pouco de dinheiro. E não esqueça sua maça!
- Muito bem, eu não me esquecerei. Dê-me meia hora e nós nos encontramos no portal da cidade. Pode ser?
- Feito. Agora, apresse-se, pois eu quero começar esta jornada o quanto antes.
Mal sabiam os dois amigos que havia uma terceira pessoa escutando sua conversa.
Corash olhava para a sombra do relógio de sol da cidade, impaciente. Mahslia estava atrasada.
- Co! Cheguei!- disse uma Mahslia ofegante.
- Aleluia, garota! Você demorou duas horas a mais que o previsto!
- Desculpe. Eu tive que me livrar dos meus pais. E você, como chegou aqui no horário?- disse a garota, na defensiva.
- Você conhece meus pais. Eles me acham um fracassado, não ligam se eu ficar fora até de tarde- respondeu o garoto, irritado.
- Co, desculpe! Eu...- começou a garota
- Deixa pra lá, ok? Vamos logo começar, quanto antes nós começarmos, antes acabaremos.
- E onde vocês pensam que estão indo?- perguntou uma voz fria
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